O futuro

NA ITÁLIA, NA CIDADE DO MÉXICO OU EM SHEFFIELD, NA INGLATERRA, MATERIAIS INOVADORES NEUTRALIZAM AR POLUÍDO

Palazzo Italia  (Foto: Divulgação)Prédios que captam água da chuva para reúso ou abrigam hortas urbanas já são conhecidos, mas o que dizer de construções que literalmente servem para filtrar a poluição do ar? Pois elas existem. O escritório de design Nemesi & Partners, de Roma, por exemplo, desenvolveu um projeto de edifício construído com 9 mil metros quadrados de concreto fotocatalítico – um tipo de material que absorve óxido de nitrogênio e óxido nítrico quando exposto à luz do sol. Na Cidade do México, a Torre de Especialidades  - que abriga o hospital Manuel Gea Gonzalez - tem sua fachada cercada por uma estrutura pintada com um composto chamado Prosolve370e, que também neutraliza as substâncias tóxicas do ar poluído. E a Universidade de Sheffield, na Inglaterra, criou o primeiro poema catalítico do mundo, utilizando como suporte para o mural um material inventado na própria universidade que ajuda a purificar o ar – instalado na empena de um dos prédios, o mural absorve as emissões diárias de 20 veículos.
Palazzo Italia, desenvolvido pelo escritório romano, será erguido como pavilhão italiano da Expo Milano, a exposição universal que a cidade italiana irá sediar entre maio e outubro de 2015. Modelado como se fosse uma floresta petrificada, o edifício se vale de uma “arquitetura natural”, cujas estruturas de linhas interligadas geram percepções de luz e sombra, e espaços cheios ou vazios. Em seu topo, além de uma horta urbana de produtos orgânicos, um conjunto de paineis solares se encarrega de gerar energia no prédio durante o dia.
Torre de Especialidades, México (Foto: Divulgação)

O material utilizado na Torre de Especialidades, no México, foi desenvolvido pelo escritório Elegant Embelishments, de Berlim: a tinta aplicada na fachada é feita de dióxido de titânio, um pigmento que age como catalisador em certas reações químicas. Quando os raios ultravioleta atingem a estrutura do prédio, deflagram uma reação química entre o dióxido de titânio e o monóxido de nitrogênio contido no ar poluído, neutralizando seus elementos nocivos, sem alterar, porém, o pigmento. A forma da estrutura da fachada do prédio lembra uma colmeia, mas não por razões estéticas ou visuais: ela consegue espalhar mais luz solar e, portanto, gerar mais reações químicas que vão “sugar” a poluição.
Na Universidade de Sheffield, Inglaterra, a cooperação entre a ciência e as artes ganha função ambiental. O poeta britânico Simon Armitage, que é professor da universidade, criou em conjunto com o pró-vice-reitor de ciências Tony Ryan, um mural para o seu poema “In Praise of Air” (Em louvor ao ar). Impresso com o material desenvolvido sob a coordenação de Ryan, o mural absorve - a partir do dióxido de titânio - a poluição de seu entorno. A direção da universidade quer agora disseminar essa tecnologia pelos milhares de outdoors e cartazes espalhados por ruas e estradas do país. Além de vender carros ou outro produto, essas peças de publicidade podem neutralizar boa parte dos poluentes emitidos pelos veículos. Além de durável, o dióxido de titânio tem outra vantagem: é autolimpante, bastando uma chuva fina para remover as impurezas.
Universidade de Sheffield, Inglaterra (Foto: Divulgação)