FEITO A PARTIR DE SEBO E ÓLEOS, COMBUSTÍVEL TEM MAIOR DENSIDADE ENERGÉTICA
O diesel verde apresenta uma estrutura molecular diferente em relação ao biodiesel, o que confere maior densidade energética, e obtém maior eficiência de propulsão. A ponto de cientistas da Boeing comprovarem que pode até ser usado para mover aviões: a empresa já está negociando com a Administração Federal de Aviação dos EUA uma autorização para utilizar o diesel verde em sua frota. Um dos argumentos é ecológico: o diesel verde emite 50% menos de dióxido de carbono que os combustíveis fósseis. Segundo cálculos da Boeing, atualmente a capacidade instalada de produção do diesel verde no mundo pode suprir apenas 1% da demanda por combustível da aviação global – o equivalente a 600 milhões de galões.
Outra vantagem competitiva do diesel verde, segundo seus fabricantes, está no fato de poder ser distribuído através dos dutos de petróleo já existentes, enquanto o biodiesel comum requer transporte rodoviário ou ferroviário. Além disso, o diesel verde não se afeta com baixas temperaturas, que poderiam prejudicar seu fluxo de distribuição, nem se adensa com o frio, como pode ocorrer com o biodiesel. Como é produzido com restos de comida reciclados, que iriam simplesmente para o lixo, o diesel verde também não requer áreas de cultivo, como o etanol de milho, ainda muito usado no país.
Ao contrário do que possa parecer, a Diamond Green Diesel não é uma empresa nascida de startups ambientalistas, mas sim uma subsidiária da gigante petrolífera texana Valero, que viu nela um grande potencial de negócios futuros, além das vantagens ecológicas. A tecnologia do diesel verde foi desenvolvida pela Honeywell, que já a oferece a outras empresas. Em breve, refinarias como a da Luisiana podem se espalhar pelos EUA, segundo expectativas da empresa, baseadas em contatos já feitos por interessados na tecnologia.